Alinne Ferreira é orientadora profissional, master coach e facilitadora de treinamentos. Seu primeiro trabalho foi em uma cozinha industrial com seu pai. Também teve experiências no comércio e em áreas administrativas.
Até que em 1999 começou a trabalhar com desenvolvimento humano, área que não abandonou mais. A paixão por ajudar as pessoas fez com que há menos de três meses ela deixasse o mundo corporativo para trabalhar em seu próprio projeto, o Amo o Que Faço.
Hoje ela é mais feliz e ajuda as pessoas a buscarem seus sonhos. Conheça um pouco mais da entrevistada de hoje.
– para quem não te conhece, quem é Alinne Ferreira?
Vamos lá… Confesso que tenho me esforçado ultimamente para não começar me apresentando pela minha formação. Rsrs. Pois ela representa apenas uma pequena parte de mim.
Sou mãe, empreendedora, esposa do Vander, orientadora profissional, master coach e facilitadora de treinamentos. Sou formada em Comunicação Social, com especializações em Marketing, Neurociências e Psicanálise.
– no que você já trabalhou?
Comecei minha vida profissional trabalhando com meu pai em uma cozinha industrial e em um buffet. Depois, tive experiências nas áreas administrativas e no comércio varejista. Em 1999, comecei minha jornada no mundo da educação e desenvolvimento humano.
– o que você faz hoje?
Trabalho com processos de orientação profissional para jovens que estão escolhendo suas carreiras, coaching e apoio educacional.
– esse é seu único trabalho hoje?
Sim.
– você me contou que trabalha desde 1999 com desenvolvimento de pessoas. Como era esse trabalho?
Meu trabalho sempre consistiu em apoiar pessoas a descobrirem e desenvolverem seus talentos e competências. Depois deste mapeamento, focamos na organização mental, para estabelecimentos de objetivos e metas.
Foco meu trabalho muito na quebra de padrões mentais improdutivos e na construção de novos hábitos que elevam o bem-estar e produtividade. Com as formações em coaching e o estudo em neurociências e psicanálise ganhei mais ferramentas e metodologia para apoiar meus clientes.
– e o que te fez querer abrir sua própria empresa focada nessa área?
A paixão por ajudar as pessoas a acreditarem nelas mesmas.
– seu pai era empreendedor na área de gastronomia. Você me disse que trabalhou com ele desde os 12 anos. O que você aprendeu com essa experiência?
Meu pai é minha principal referência de trabalho. Ele sempre foi um guerreiro incansável. Para mim, seus principais ensinamentos foram TRABALHO, CORAGEM E FORÇA.
– seu pai continua na área? Ele queria que você continuasse trabalhando com ele?
Não. Meu pai faleceu em maio deste ano, mas, há mais de 10 anos ele já estava fora da área de gastronomia.
– em algum momento isso te impediu de seguir trabalhando por conta própria?
De jeito nenhum, acho que ele me deixou até livre demais para escolher, rsrs! Nos últimos anos ele sempre me incentivou a ser autônoma. Porém, tive vários medos a serem vencidos até ter coragem de largar de vez o emprego e partir para uma jornada empreendedora.
– você trabalhou no mundo corporativo por mais de 20 anos. Como era pra você? Era satisfatório um trabalho como a “estabilidade” que dizem que ele proporciona?
Honro e agradeço todas as empresas por qual passei. Cada uma foi uma universidade de experiências e onde tive oportunidade de desenvolver projetos bem bacanas e conhecer pessoas maravilhosas, que são minha rede de relacionamento até hoje.
Confesso que muitas vezes acreditei que este era o melhor dos mundos. E para algumas pessoas é mesmo. Nem todo mundo dá conta de empreender sozinho, só com ajuda de parceiros e fornecedores. O mundo corporativo nos seduz de muitas formas: pelo dinheiro, pela falsa sensação de segurança, benefícios, status e outras “cositas a más”! Porém, senti que este mundo não representava mais meus valores e a minha vontade de criar uma rotina mais autêntica e com mais qualidade.
Mas, não demonizo de jeito nenhum os empregos e as empresas, eles são importantíssimos para a evolução de um país e de uma sociedade. Hoje só tenho um olhar mais carinhoso e me identifico mais com o mundo dos empreendedores e os seus desafios.
– você era infeliz nos seus trabalhos anteriores?
Não em todos. Sempre tive o privilégio de trabalhar em empresas renomadas e com pessoas fantásticas. Mas, confesso que já teve momentos que eu sentia que estava vendendo a minha alma para o diabo, rsrs. Projetos sem propósitos, chefes que não são líderes, trabalhos sem um pingo de criatividade sempre me desmotivaram e me deixavam bem infeliz. Já teve empresa que chorei praticamente todos os dias em que estive lá e só fiquei por 11 meses, porque me comprometi com o meu gestor (que era um líder nato) a entregar um projeto que eu estava encabeçando.
– em que momento você percebeu que precisava mudar os planos?
Quando busquei o processo de coaching para mim em 2010.
– o que mudou na sua vida hoje que trabalha por conta própria?
Tudo. Meu humor, minha disposição, minha criatividade, minha coragem e minha disciplina.
Sempre fui bem organizada e comprometida com prazos e horários. Mas como empreendedora esta disciplina tem que dobrar para gente dar conta de tudo.
– te considera uma pessoa bem remunerada?
Sim. Nestes 75 dias que larguei o mundo corporativo já consegui trabalhos que já me renderam o mesmo valor de 06 meses do meu salário anterior.
– então você largou o mundo corporativo há menos de três meses? Como está sendo essa nova fase da sua vida?
Me preparei durante 4 anos para largar de vez o mundo corporativo. Confesso que foi bem desafiador, pois tive que vencer várias barreiras internas e externas. Mas, acredito que tudo é um processo de amadurecimento e aquisição de coragem.
Estou amando esta minha nova fase, muito mais produtiva e cheia de sentido. É lógico que tenho que me disciplinar bem mais para não perder o foco, pois, quando se é empreendedora geralmente temos que fazer tudo sozinha e aprender a priorizar é importantíssimo para a produtividade.
Nestes 3 meses já aconteceu muita coisa e minha agenda está bem agitada com atendimentos, palestras e projetos bem interessantes. Tudo fruto de muito trabalho, bons relacionamentos e dedicação para fazer entregas com excelência.
Não é fácil, mas, com certeza vale muito a pena.
– já enfrentou dificuldades financeiras?
Lógico, principalmente na adolescência com a minha família, vivemos muitos altos e baixos. Acredito que foi por isso que tinha tanto medo de largar o mercado tradicional.
– como foi a sua transição?
Me preparei durante 04 anos para tomar esta decisão. Foi processo bem desafiador. Mais de quebrar bloqueios internos e gerar coragem do que a parte financeira. Mas se preparar financeiramente é essencial para uma transição mais tranquila e harmônica.
Para te dar mais segurança e foco na construção do seu negócio. Também já comecei a atender desde a minha 1ª formação em coaching que foi em maio de 2011. Isto me permitiu gerar mais renda e segurança para atender.
– você trabalha em casa? Como é tua rotina?
Trabalho uma parte em casa e outra atendendo na sala de reunião de um coworking. Atender em um coworking trouxe mais dinamismo e relacionamentos para o meu negócio. Estou amando.
– como lida com a questão do medo?
É um trabalho diário de blindagem mental. Acredito que o segredo é não criar identificação com os seus pensamentos antigos que geralmente tentam nos proteger de uma situação ruim. Porém, não temos o menor controle se algo ruim vai acontecer ou não.
E se for algo bom? Me coloco sempre disponível para viver um dia de cada vez elevando o meu nível de presença e me policio para não julgar, principalmente a mim mesma, rsrs!
A organização mental também ajuda, eu escrevo tudo o que tenho que fazer e me imponho mini-metas, pois me dão mais foco no que precisa ser feito, sem lamentações.
É lógico que tem dias que o medo vem mais forte e nestes dias tento me acolher, aceitar e respeitar o que meu corpo e intuição estão pedindo. A meditação ajuda demais nestes momentos.
– tua família te apoiou nessa decisão?
Meu pai, minha madrasta e meus irmãos sim. Meu marido demorou mais um pouco, mas, fui dobrando ele aos pouquinhos, rsrs! Assim que ele foi vivenciando os meus movimentos, resultados e o aumento do meu nível de felicidade ele se convenceu, rsrs!
– o que é empreender pra ti?
Empreender é um ato de coragem e amor. Coragem porque muitas vezes é a sua única opção e você tem que tomar várias decisões sozinho. Amor porque você tem que identificar algo que ama fazer para se dedicar de corpo e alma e sentir prazer naquilo que faz. Ver que o que você faz ajuda outras pessoas de alguma forma.
Todos nos somos empreendedores na vida. A cada projeto, filho ou decisão importante a ser tomada estamos colocando em prática o nosso lado empreendedor.
– qual teu propósito de vida?
Ajudar o máximo de pessoas a acreditarem nelas mesmas para alcançarem seu sonho mais amado. Acreditar nas pessoas é acreditar em mim mesma. Sei que é meio piegas, mas eu não ligo. Hahaha!
– voltaria a trabalhar no mundo corporativo?
Nunca falo nunca! Mas, hoje isso é bem distante para mim. Ainda estou na fase do detox corporativo e me vigio para não começar os e-mails com “prezado” e finalizar com “atenciosamente”. Me vejo daqui um tempo atuando no mundo corporativo como fornecedora e/ou parceira de projetos que estejam alinhados com os meus valores.
– pra você, porque as pessoas tem tanto medo de colocar as ideias em prática?
Acho que este medo é comum para todos: o medo de não ser aceito e/ou de não se achar bom o suficiente.
– empreender pela internet é o melhor caminho hoje?
Acredito que sim. Mesmo atendendo a maioria dos meus clientes presencialmente, a internet me possibilitou contatos e conhecimentos que jamais imaginei ter.
Acredito que ainda temos muito campo para desenvolvimento de infoprodutos para proporcionar às pessoas uma nova forma de aprendizado.
A internet é uma grande aliada para posicionamento da sua marca e serviços, engajamento de pessoas e troca e produção de conhecimento.
– o que você diria para alguém que te falasse hoje que não consegue sair de seu emprego e tentar empreender?
Primeiro escrever os motivos do “para quê” quer empreender. Depois escreva quais são os motivos que estão te impedindo de empreender.
Parece uma tarefa simples, mas é muito poderosa para aumentar a percepção dos seus sabotadores e dos seus impulsionadores.
Faça também o exercício de projeção do futuro: como você estará daqui cinco anos se não começar empreender naquilo que sonha?
– o que você pode dizer para alguém que quer empreender, mas não sabe por onde começar, tem medo, receio do que os outros vão dizer. Que dica você daria para essas pessoas?
Primeira coisa é investigar qual é a raiz do seu medo. Ele é real? Ou você está deixando se levar pela opinião dos outros? Qual é o grau de importância de opinião dos outros na sua vida.
Na minha experiência com processo de desenvolvimento pessoal, percebo que um dos fatores que mais angustia as pessoas é viver uma vida que não é a delas. Outro fator importantíssimo que causa muita frustração é não entregar e não praticar os seus talentos, independente de ser empreendedor ou profissional no mercado tradicional.