O empreendedorismo materno de Amanda Rocha

Fotos: Arquivo Pessoal
Fotos: Arquivo Pessoal

Amanda Rocha é mãe, psicóloga, coach e empreendedora. Depois do nascimento de sua filha Manu, ela começou a ler mais e participar de grupos com foco na maternidade. Nisso ela viu que estava surgindo uma paixão. Ao mesmo tempo, outras mães a procuravam para saber como ela fazia para trabalhar em casa e ela começou a realizar atendimentos por Skype. Nisso surgiu a ideia do Mom’SA, projeto criado para unir as paixões de Amanda: maternidade, empreendedorismo, internet, coaching e desenvolvimento pessoal.
Conheça um pouco mais da nossa entrevistada de hoje.


– para quem não te conhece, quem é Amanda Rocha?

A Amanda é mãe, esposa, psicóloga, coach e empreendedora digital. Aprendi a construir a minha autoconfiança, a deixar a ansiedade e o meu crítico interno de lado para correr atrás de meus sonhos e do que verdadeiramente alimenta a minha alma. E depois da maternidade me descobri mais forte e corajosa do que imaginava ser!

– onde você já trabalhou?

Senta que lá vem a história! Rs.
Em ordem cronológica: fui revendedora de cosméticos e professora de inglês na adolescência; monitora de recreação durante a faculdade; babá (au pair na Holanda); e após a graduação fui analista de RH em cinco empresas, funcionária pública (psicóloga educacional), psicóloga clínica… E após rodar muito e percorrer um árduo caminho buscando algo que me proporcionasse realização, me encontrei como coach e empreendedora digital.

– desde quando trabalham com o Mom’SA?

Desde maio de 2014.

– a ideia do projeto surgiu com a tua gravidez?

Não exatamente com a gravidez, mas depois que a minha filha nasceu. Durante a gravidez eu fiz a formação em coaching e estudei empreendedorismo e marketing digital, mas pensava em focar em pessoas insatisfeitas com a carreira ou adolescentes que estavam escolhendo a profissão.

Depois que a Manu (minha filha de 1 ano nasceu) me joguei de cabeça no mundo da maternidade. Lia muitos blogs, frequentava grupos de mães. E aí percebi que estava surgindo uma nova paixão: o universo materno. Além disso, outras mães me procuravam curiosas por saber como eu trabalhava de casa (quando ela estava com 4 meses eu comecei a atender alguns clientes por skype) pois queriam fazer isso também para estarem mais próximas de suas crianças. O Mom’SA foi a forma que encontrei de unir grande parte das minhas paixões: maternidade, empreendedorismo, mundo da web, coaching, desenvolvimento pessoal.

– você estava em algum emprego e largou ainda na gravidez para criar o Mom’SA? Como foi esse processo?

Enquanto estava grávida trabalhava em uma grande multinacional como analista de RH e estava muito infeliz pois não era realizada com minhas atividades e também porque não queria passar o dia todo longe da minha filha em um ritmo enlouquecedor depois que ela nascesse. Por isso comecei a construir meu negócio (que não era o Mom’SA ainda, e sim meus serviços de coaching de carreira) durante a gravidez. Quando acabou a minha licença pedi demissão, mesmo ainda estando com o negócio bem no começo e sem retorno financeiro. Eu e meu marido nos planejamos, revimos nosso padrão de vida e vimos que era possível nos mantermos com o salário dele até que meu negócio começasse a dar retorno.

– esse é seu único trabalho atualmente?

Sim!

– já consegue ter retornos financeiros com ele?

Sim! Demorou alguns meses, como acredito ser na maioria dos negócios.

 

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– você é bem remunerada?

Esse conceito é muito subjetivo, né? Hoje estou começando a ter um retorno superior ao que tinha no mundo corporativo, e pretendo continuar crescendo.

– você era infeliz em seus trabalhos anteriores?

Sim! Apesar de executar algumas atividades que gostava, eu não me sentia plenamente satisfeita: quando estava nas empresas, sentia falta de algo mais humano e quando era terapeuta e psicóloga escolar sentia falta do mundo business, mas não da forma como era no mundo corporativo.

– o que mudou na tua vida em comparação aos trabalhos que tinha antes? Tem mais qualidade de vida hoje?

Primeiro, hoje eu posso dizer que AMO meu trabalho. Trabalho muito, e quando estou envolvida em um grande projeto (como o CONAMÃE) muitas vezes fico até de madrugada e trabalho aos finais de semana, mas quando o trabalho é feito com prazer, como é o meu caso agora, isso não é empecilho (tenho até que tomar cuidado para não ser workaholic!). Mas considero que tenho mais qualidade de vida sim, pois em contrapartida posso levar minha filha na natação, brincar com ela, amamentá-la, cuidar dela, enfim, durante uma boa parte do dia. Posso viajar para visitar minha família, levar meu computador e trabalhar de onde quiser. Isso para mim é maravilhoso, isso é autonomia e é qualidade de vida.

– qual a sensação de poder ficar o dia todo perto da sua filha em casa?

Na verdade hoje em dia não fico mais o dia todo, mas esta foi a nossa realidade até ela ter 1 ano e 2 meses, o que foi maravilhoso. Quando ainda estava no começo do negócio, eu trabalhava efetivamente quando meu marido chegava em casa, à noite. Durante o dia, como estava com ela, checava mais as redes sociais e e-mails. Porém a medida que o Mom’SA foi crescendo precisei de ajuda meio período. Então agora a colocamos na escolinha, à tarde.

– e como é trabalhar com uma criança em casa? Como é tua rotina?

Nos primeiros meses, trabalhava quando meu marido chegava em casa e ficava com a Manu, das 18h30 às 21h30 e depois que minha filha ia dormir. Com o passar dos meses foi ficando cansativo para ele e a demanda do negócio aumentou, então me via trabalhando também mesmo durante o dia, com ela (o que era bem desafiador). Conseguia acompanhar a fan page, o instagram e o e-mail, mas em contrapartida perdia em tempo de qualidade com minha filha. Então este ano decidimos colocá-la na escolinha, meio período, e agora concentro as minhas atividades à tarde.

– acredita ser um bom mercado o trabalho com foco em mães empreendedoras?

Sim, pois existem cada vez mais mães despertando para o empreendedorismo em busca de um trabalho com mais propósito e horários flexíveis e o empreendedorismo proporciona as duas coisas.

– é uma alternativa para mães que querem ficar em casa cuidando dos seus filhos e ao mesmo tempo trabalhando? Mesmo sem ser teu foco, acredita que é uma alternativa para os pais também?

O empreendedorismo proporciona flexibilidade de horários e espaço, para assim sermos donos da nossa agenda e conciliar nossos horários de acordo com o estilo de vida que pretendemos ter, isso serve para mães, pais, ou mesmo para quem não tem filhos. Essa liberdade não tem preço.
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– pra ti, quais as vantagens de ser empreendedora?

Resumo em duas palavras: liberdade e propósito.

– tua família te apoia nessa decisão?

Totalmente! Desde o começo, e me sinto realmente privilegiada por este nunca ter sido um problema para mim.

– como é a questão do home office pra você? As pessoas do teu convívio entendem ou acham que você não está trabalhando? Como lida com isso?

Eu sempre deixei bem claro que estava trabalhando, e que meus resultados dependiam das horas que passava na frente do computador, ainda que em casa. Isto também foi tranquilo!

– para iniciar o projeto, você planejou muito tempo antes? Tinha dinheiro guardado?

Não e não! Rs.
Na verdade eu estava com uma ideia de criar um curso para mães empreendedoras e fiz uma pesquisa no google docs mesmo, para saber como seria a aceitação das mães. Publiquei em vários grupos de mães e a partir das respostas vi que era viável. Começou aí. Em menos de 1 mês tínhamos nome, logomarca, landing page (feita gratuitamente) e um ebook para ser usado como freebie (feito em word. Começamos com o plano gratuito do MailChimp e fizemos alguns poucos anúncios pagos no facebook, com baixo investimento. A medida que as receitas foram geradas (atuávamos como afiliadas), investíamos tudo o que entrava (e assim criamos o site por exemplo). Minha renda era com os processos de coaching. Com o passar dos meses passamos também a nos remunerar.

– quais os objetivos com o site?

Estamos o reformulando completamente para deixar mais a nossa cara e com mais recursos. Em breve o novo site estará no ar. Queremos criar uma loja virtual dentro do site para expor nossos infoprodutos e os produtos aos quais nos afiliamos.

– qual o teu propósito de vida?

Pergunta difícil até para uma coach, rs. Tenho sonhos muito grandes, alguns individuais e outros em conjunto com minha família. Mas basicamente, meu propósito é ser livre. Livre financeiramente, ter mobilidade, flexibilidade de horários, para poder ter muitos bons momentos com as pessoas que amo. E claro que entra aqui também ser saudável (e cuidar da saúde da minha família) para poder aproveitar estes momentos.

– você organizou o Conamãe (Congresso Nacional para Mães Empreendedoras), que ocorreu em março. É uma forma de mostrar para as mães que elas podem empreender e ao mesmo tempo cuidarem de seus filhos? Como surgiu essa ideia do Congresso?  Conte um pouco mais sobre ele.

O Conamãe foi a forma que eu e a Lúcia, minha sócia, encontramos para mostrar para as mães que o empreendedorismo é um caminho que proporciona flexibilidade de horários, e assim as possibilita ter mais tempo de qualidade com seus filhos.
Por isso trouxemos empreendedores para claro, falar sobre assuntos mais técnicos, relacionados ao empreendedorismo, mas também trouxemos palestras sobre organização da rotina, otimização do tempo passado na cozinha e várias de motivação. O Congresso foi um sucesso e a repercussão superou as nossas expectativas! Foram várias vidas transformadas, recebemos muitos depoimentos e ficamos muito felizes com o resultado!

Trabalhar efetivamente enquanto cuida dos filhos eu acredito ser uma ideia um pouco ilusória se você tem filhos pequenos. Você pode até fazer algumas atividades rápidas e que não demandem tanta atenção, mas a mãe precisa estar ciente de que terá que encontrar uma brecha de tempo em que estará sem as crianças por perto para executar atividades que exijam mais concentração e criatividade (geralmente a maioria delas exige estas duas coisas). Pode ser enquanto as crianças estão dormindo (meu começo foi durante as sonecas e da Manu e um pedaço da noite).
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– como foi a experiência de organizar um congresso online? Vale a pena? Acredita ser uma boa oportunidade para quem está começando?

A experiência do congresso foi uma verdadeira escola. Muitoooo intenso e muitooo trabalho, mas um aprendizado imenso. Vale muito a pena, mas não recomendo a ninguém organizar um congresso sozinho. Sempre procure um sócio neste projeto. Acho que é uma ótima oportunidade para quem está começando, pois gera autoridade no assunto do Congresso e cria-se uma audiência.

– o seu projeto é focado em mães. Acredita que para ter sucesso no empreendedorismo é necessário escolher um nicho?

Com certeza. Você precisa escolher um nicho (de preferência que você faça parte ou já tenha sido parte dele) para se comunicar e criar seus produtos de forma direcionada. Quanto mais segmentado seu nicho, mais efetiva será a sua mensagem e mais as pessoas daquele nicho em específico se identificarão com ela.

– acredita que empreender é a melhor saída para quem está infeliz no trabalho?

Não. O empreendedorismo é uma das possibilidades, mas não a única.  E a pessoa não pode somente considerar o fato de estar infeliz no trabalho na decisão de empreender. Ser empreendedor não é fácil (apesar de muito gratificante e recompensador) e se a pessoa não fizer uma reflexão dos motivos que a deixam insatisfeita no trabalho, pode repetir a mesma conjuntura no seu empreendimento e vir a se frustrar. Por exemplo: a pessoa pode estar insatisfeita no trabalho porque trabalha muitas horas por dia. Porém no começo de seu empreendimento provavelmente ela terá que trabalhar muito, e mesmo depois quando já estiver mais estável, existirão picos de trabalho que exigirão “horas extras”.

– que dica você daria para quem quer empreender, mas tem vários medos que fazem com que essas pessoas não saiam de seus empregos?

Coloque-se em movimento. Dê o primeiro passo, ainda que pequeno. Inscreva-se em um curso online de empreendedorismo, crie uma fan page ou instagram, uma página de captura de e-mails para começar a criar seu público e se relacionar com ele. A segurança vem com a prática. Não espere estar 100% seguro para começar. A medida que você for evoluindo – mesmo que lentamente devido ao pouco tempo disponível – você começará a se fortalecer e também a sentir se a sua ideia é realmente boa em termos de resultados.  São respostas que somente seu movimento te dará 😉

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Olá. Meu nome é Dieverson Colombo, tenho 32 anos e definitivamente não consigo me apresentar em poucas palavras. Mas para você não ficar mais confuso, posso te dizer que me formei em jornalismo, já fiz muita coisa para conseguir pagar as contas, sou escritor e publiquei meu primeiro livro em 2019. Também gosto muito de ouvir e produzir podcasts e por isso você vai encontrar conteúdos nesse formato por aqui.

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