As mudanças na vida de Talita Chaves

Fotos: Marcela Vaz
Fotos: Marcela Vaz

 

Talita Chaves é fotógrafa, jornalista e uma sonhadora. Trabalhou por muito tempo como jornalista e uma demissão fez com que sua vida mudasse. Foi o empurrão que faltava para ela sair de sua zona de conforto, como ela mesmo descreve. Criadora do Inside The Office, hoje ela incentiva outros profissionais a irem atrás de seus sonhos.
Conheça um pouco mais da história da Talita!

 

– Para quem não te conhece, quem é Talita Chaves?

Sou jornalista, fotógrafa e idealizadora do blog Inside the Office, que reúne entrevistas com empreendedores criativos e muitas fotos de ateliês!

– O que você já fez na vida?

Já trabalhei com produção de TV, fui assistente de fotografia e durante 11 anos atuei no mercado corporativo, na área de comunicação de uma grande empresa de petróleo e gás.

– E o que está fazendo hoje?

Continuo atuando como jornalista e fotógrafa, só que agora por conta própria, como profissional autônoma. Também dedico boa parte do meu tempo ao projeto Inside the Office – onde realizo entrevistas, fotografo ambientes e atualizo as redes sociais do blog.

– Você é jornalista e fotógrafa e trabalhou no mundo corporativo. Como foram essas experiências? Era infeliz no trabalho?

Acredito que toda experiência pode ser muito rica e gerar ótimos frutos. Tudo depende da forma como a gente lida com a própria vida e com os desafios do dia a dia. Eu aprendi muito enquanto estive no mundo corporativo, até mesmo a me reconhecer como uma profissional da área de comunicação. Fiz muitos amigos, que vou levar pra vida toda, e consegui criar uma base financeira para investir no meu apê e em equipamentos fotográficos – para trabalhar como freelancer. Em um certo momento, percebi que já era hora de mudar e explorar outros horizontes – na época, não necessariamente como empreendedora. Me sentia insatisfeita porque não tinha coragem pra sair da zona de conforto, não por causa do trabalho em si.

– Em um momento, você comentou que começou a sentir a vontade de mudar. Ali começaram a surgir ideias de você sair ou foi depois da demissão mesmo?

Quando exerci a função de produtora de TV, percebi que não era muito a minha praia, dentro do Jornalismo. Sempre gostei mais de escrever e fotografar. Naquela época, o meu objetivo era mudar de cargo. Ainda não tinha a intenção de sair da empresa. Depois de cinco anos atuando como produtora, fui convidada para exercer uma nova função: voltei a escrever matérias e produzir fotos de eventos corporativos. E fiquei muito feliz por essa conquista!

– Você começou a trabalhar com fotografia no seu trabalho e estava gostando, certo? Mas com o tempo acabou não gostando mais. Por que você acha que aconteceu isso?

Eu sempre amei fotografar! Nunca deixar de gostar, na verdade! Como disse anteriormente, a minha insatisfação surgiu não por causa do trabalho em si, mas por conta de uma necessidade interna de explorar novos horizontes e viver outras experiências – isso tanto na Fotografia quanto no Jornalismo.

– O fato de não ter perspectivas de crescimento profissional como você me contou, nessa época, contribuiu muito para esse desânimo?

Sem dúvida! Acredito que qualquer profissional irá se sentir insatisfeito caso perceba que não há perspectivas de crescimento no ambiente de trabalho – digo isso não só em termos de cargos e salários, necessariamente – mas no que diz respeito a um aprendizado contínuo. Se o profissional não se sentir estimulado a criar e aprender, mais cedo ou mais tarde ele irá em busca de outras oportunidades para construir uma carreira com mais significado e propósito.

– Depois você foi demitida. Quando foi isso?

Fui demitida junto com outros 12 colegas em maio de 2015, por conta dessa grave crise econômica que estamos enfrentando atualmente.

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– A sua demissão te ajudou a mudar de vida então?

Sem dúvida! Foi um presente de Deus e o “empurrãozinho” que eu precisava pra sair da zona de conforto 🙂

– E então você viu uma oportunidade de recomeçar. Como foi esse processo até achar seu trabalho atual?

Por mais que a demissão já estivesse batendo na minha porta, eu só acreditei quando de fato aconteceu. Em nenhum momento me coloquei na postura de “vítima” e sempre encarei todo esse processo de mudança como um recomeço. Me senti perdida durante um mês, mas logo depois comecei a fazer as entrevistas para o projeto Inside the Office e tudo se encaixou! Me encontrei no empreendedorismo criativo 🙂

– Você hoje tem o projeto Inside The Office. Como surgiu a ideia e quais os objetivos com ele?

O projeto acabou surgindo naturalmente. Era uma forma de tentar encontrar as minhas próprias respostas, depois da demissão. Senti a necessidade de conversar com profissionais que amam o que fazem e de conhecer ambientes de trabalho mais coloridos e que fossem completamente diferentes daquilo que eu estava acostumada até então. E foi assim que eu comecei a enviar e-mails para jovens empreendedores para agendar uma conversa mesmo, um bate-papo. Gostei tanto da ideia – e aquilo me fez tão bem – que eu quis compartilhar todo aquele aprendizado com o mundo: daí surgiu o Inside the Office! O objetivo do blog, que foi lançado no dia 28 de agosto de 2015, é incentivar outros profissionais que, assim como eu, também estão em busca de concretizar os seus sonhos.

–  Sua renda vem do seu projeto hoje?

Minha renda atual vem dos trabalhos que exerço como profissional freelancer –  tanto com produção de imagem quanto de conteúdo. O Inside the Office hoje é um blog que tem como principal objetivo inspirar pessoas a irem em busca dos seus próprios sonhos. O meu desejo é que o projeto se transforme num negócio criativo sustentável, no futuro, mas tudo tem o seu tempo. Não há como exigir que um blog, que nasceu há pouco tempo, já seja a minha principal fonte de renda. Isso é natural – temos que dar um passo de cada vez.

– Teve ou está com muito medo ainda de toda essa transição?

Já tive muito medo de sair da zona de conforto. Hoje eu tenho medo de ter uma vida profissional sem propósito e que não me permita gerar valor para o mundo. Quero criar o trabalho dos meus sonhos e ser feliz ao longo do caminho! <3

– Você é bem remunerada hoje?

Acredito que “ser bem remunerado(a)” é algo muito relativo. Vai depender do estilo de vida de cada um. O que para alguns pode ser uma ótima remuneração, para outros pode ser insuficiente. Sempre tive um estilo de vida bem simples: não tenho carro, gosto de fazer quase tudo a pé ou de bike. Ainda não tenho filhos e, sempre que posso, cozinho em casa para evitar muitos gastos com restaurantes no dia a dia. Ainda estou me estruturando financeiramente, até porque existe uma grande diferença entre receber um salário certinho todo mês e ser uma profissional autônoma; mas, graças a Deus, consigo gerar uma renda que me permite manter o meu estilo de vida e pagar as minhas contas.

– Enfrentou dificuldades financeiras durante a transição?

Graças a Deus não. O que aconteceu foi uma mudança de mentalidade: passei a valorizar as coisas mais simples e a viver com o que de fato é importante. Hoje, não vou sair comprando simplesmente por comprar! Só o que for necessário. Depois de uma transição de carreira, a gente acaba eliminando tudo o que é supérfluo da nossa vida.

– Hoje você trabalha em casa? Como é sua rotina?

Sim, atualmente trabalho home office. Ainda estou tentando estabelecer uma rotina, porque separar as tarefas de casa com o trabalho, em si, nem sempre é fácil. Volta e meia rola aquele dilema: faço faxina agora ou termino de responder os e-mails primeiro? Mas com tempo, tudo se ajeita! O importante é ter disciplina. No meu dia ideal, eu acordo bem cedinho pra fazer algum exercício físico ao ar livre e depois volto pra começar a trabalhar. Por volta de 13h dou uma pausa para o almoço e, em seguida, retorno para o segundo tempo. Mas tudo depende muito da quantidade de trabalho que eu tenho ao longo de cada semana. Tem períodos mais corridos e outros tranquilos. O segredo é ter muito jogo de cintura para realizar todas as tarefas sem perder o foco! Pra mim, trabalhar em casa tem sido um aprendizado diário.

 

Marcela Vaz - fotografia (72)

– Ainda trabalha como jornalista e fotógrafa?

Sim, sempre trabalhei como fotógrafa e jornalista. E continuarei atuando nas duas áreas: são as minhas paixões!

– Como é o apoio da sua família e dos seus amigos nessa tua mudança de planos?

Tanto a minha família quanto os amigos têm me apoiado muito nesse período de transição! A minha mãe, em especial, tem sido uma grande parceira! E isso, sem dúvida, faz toda a diferença! O apoio deles tem sido fundamental pra mim 🙂

– Muita gente disse que era loucura não ter mais um trabalho fixo? E como você responde isso?

Não fui “taxada” como louca porque a decisão de sair da empresa onde eu trabalhei por mais de 10 anos não foi minha. Fui demitida, assim como outros funcionários do mesmo setor, por conta da crise econômica que estamos enfrentando. Eu não planejei nada, aconteceu! Então as pessoas encaram de outra forma, não ficam julgando. Independente disso, sou a favor de que todos exerçam uma atividade que traga felicidade e realização pessoal. De que adianta estar no “padrão profissional” esperado pela sociedade e ser infeliz – por conta de uma escolha que não foi genuinamente sua? Não faz o menor sentido!

– Qual teu propósito de vida?

Volta e meia me faço essa pergunta, até pra checar se já sei a resposta. Muitas pessoas passam a vida inteira sem saber dizer ao certo qual é o real propósito delas nessa vida. Acredito que hoje, além de ser feliz e gerar valor para o mundo, o meu propósito é fomentar a economia criativa não só na cidade onde moro, mas, no Brasil, de um modo geral. Ainda há muito a ser feito nessa área! Quero ajudar empreendedores a realizarem o sonho de exercerem um trabalho por amor e de forma sustentável – em termos financeiros.

– Imaginava algum dia que seria empreendedora?

Nunca imaginei! Fui criada para passar num concurso público e ter uma vida financeira estável, sem altos e baixos. De uma certa forma, estive diante dessa realidade por um bom tempo – mas depois cheguei à conclusão de que essa não é a minha praia. Claro que ter um dinheirinho certo caindo na conta todo mês é maravilhoso – mas hoje, vejo que o retorno financeiro é apenas uma parte do processo. Ser feliz com o que eu faço e gerar valor para o mundo – essas são as minhas prioridades, atualmente. Optei por um caminho mais difícil, mas, sem dúvida, muito mais gratificante!

– Onde e como você se imagina daqui 5, 10 anos?

Eu me imagino como uma empreendedora criativa feliz e realizada! Quero transformar o Inside the Office num negócio sustentável, para colocar em prática todas as ideias que tenho em mente para ajudar outros empreendedores Brasil afora 🙂

– Pra ti, porque as pessoas tem tanto medo de colocar as ideias em prática?

Não sei ao certo se o medo é o “único culpado” nessa história. Muitas pessoas, de fato, são “atropeladas” pela rotina: acordar cedo e ficar horas no trânsito pra chegar e voltar do trabalho, pegar os filhos na escola, ir ao supermercado, dentre inúmeras outras tarefas! Tudo isso pode servir de “desculpa” quando a gente não encontra aquela ideia que faz os nossos olhos brilharem a ponto de querermos colocá-la em prática. O segredo está no comprometimento. Quando a gente se compromete a “fazer acontecer”, mesmo que seja por meio de pequenas ações diárias, o medo nem chega a ser uma questão! Como diz a empreendedora Rafaela Cappai: “o medo morre de medo da ação” 😉

– O que você diria para alguém que não consegue sair do seu emprego e tentar empreender?

Sou a favor de que toda decisão deva ser tomada de forma consciente. E acredito que qualquer transição de carreira requer planejamento – principalmente financeiro. Pra quem sonha em ter o próprio negócio, o ideal é começar a empreender antes mesmo de sair do emprego fixo. Assim, a ideia poderá ser testada e ajustada – se for preciso! De nada adianta pedir demissão num impulso, sem ter um projeto estruturado que possa se transformar no tão sonhado “Plano A”. Isso só vai gerar frustração. Até porque nenhum empreendimento começa a gerar lucro da noite para o dia. Tudo tem o seu tempo. O importante é começar o quanto antes e não desistir!

– E o que você diria para quem quer empreender, mas não sabe por onde começar, tem medo ou fica pensando no que os outros vão dizer. Que dica você daria para essas pessoas?

Eu diria para elas darem o primeiro passo, mesmo que seja pequeno! A pergunta que deve ser feita é a seguinte: “O que eu posso fazer hoje para ir em busca dos meus sonhos?” Não precisa jogar tudo para o alto, logo de cara! O primeiro passo pode ser criar uma fan page para divulgar a sua ideia, conversar com alguém que te ajude com alguns insights! Atualmente, tudo ficou muito mais simples – principalmente por conta do acesso à internet e às redes sociais. O medo sempre vai existir, faz parte do processo. O “friozinho na barriga” é normal! Ele só não pode te paralisar! “Se der medo, vá com medo mesmo” – outra frase super famosa da Rafa Cappai. É isso que faz a nossa vida ser interessante! Caso contrário, seria um verdadeiro tédio, concorda? E sobre o julgamento dos outros: “antes de nos preocuparmos com o que os outros vão dizer, temos que ter consciência sobre o que o nosso coração está dizendo”! Não podemos fazer as nossas escolhas com base no que a sociedade vai achar bacana! Só nós sabemos a dor e a delícia de enfrentar a nossa própria rotina. Estamos aqui para criar o nosso caminho! Ser feliz é pra quem tem coragem 🙂

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Olá. Meu nome é Dieverson Colombo, tenho 32 anos e definitivamente não consigo me apresentar em poucas palavras. Mas para você não ficar mais confuso, posso te dizer que me formei em jornalismo, já fiz muita coisa para conseguir pagar as contas, sou escritor e publiquei meu primeiro livro em 2019. Também gosto muito de ouvir e produzir podcasts e por isso você vai encontrar conteúdos nesse formato por aqui.

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